Sexta feira dia 01/10/2010, resolvi que ia para minha faculdade de uma forma diferente, já que minha carona diária não aconteceria naquele dia, ao invés de ir de ônibus fui a pé, mas o que o dia me reservava era bem mais que uma simples caminhada pela avenida paulista.
No caminho até chegar a avenida paulista tive a sorte de passar pelo metro Ana Rosa, e no começo do seguinte quarteirão vi debaixo de algumas cobertas uma pessoa, escondida embaixo daqueles panos que devem tê-la aquecido durante a noite a dentro, eram 7:30 da manhã e a cidade de São Paulo já se encontrava acordada, trazendo junto do acordar o seu barulho e movimento respectivos, está pessoa, que fazia parte da vista da calçada, encostada na parede próxima a um pequeno shopping, se enrolou no cobertor de tal forma, que parecia querer se esconder da agitação daquela manhã, como quem queria ficar inacessível do mundo, passei por ela observando tal cena, e neste momento ela saiu do casulo, me olhou e disse, de forma quase inaudível:
-Me ajuda?
Dei três passos olhando para esta moça, e parei, não sei exatamente pelo o que mas parei, e fiquei ali, por 4 longos segundos parado, pensando para onde ir, ou o que fazer, para olhos de fora, estes segundos foram um rápido instante sem aparente importância, para mim foram os minutos mais lentos que já presenciei.
Tomei uma atitude! Me dirigi até ela peguei a carteira e....
Mais um instante daqueles de parar o tempo!
Como pude ser tão burro? Eu sabia que dinheiro era tudo que ela menos queria, os olhos dela gritaram tristeza quando perceberam que coloquei a mão dentro do bolso, para tirar a carteira, e dar de forma fria um trocado qualquer, quando percebi minha ação consegui perguntar com uma certa vergonha interna:
-Está com fome?
-Estou...
-Gosta de pão de queijo?
-Gosto...
-Vou ali no metrô e compro para você um saquinho de pães de queijo, já volto!
E lá fui eu, comprar os pães de queijo, que custavam tão pouco, fiquei refletindo no que dizer, após entregar os pães, enquanto a moça do quiosque colocava eles no saquinho, entregar e ir embora? Sentar e tentar conversar? Tinha de ir para a faculdade! Mas também tinha que dar atenção a um ser humano que precisa-se dela!
Comprei 30 pães de queijo, 10 para a moça e 20 para aproveitar durante o dia, voltei a sua direção, e entreguei-lhe os prometidos 10 pães, ela sorriu e eu me agachei ao seu lado, como quem não sabe se quer sentar ou ir embora, neste instante veio a tentativa de conversa:
-Então moça seu nome é?
-Vanessa!
-Então o meu é Yanco, Muito prazer!
-Eu sei que seu nome é Yanco, você já conversou comigo antes...
-Sério? A deve ter sido junto com o grupo que sempre saio de sábado pra entregar lanches e conversar!
-Não não! Você conversou sozinho comigo, e você trabalha ali naquele centro espírita que fica aqui do lado, lembro da conversa que tivemos...
Neste instante ouve um silencio no diálogo, e eu comecei a pensar, como posso ser tão insensível com alguém, ela lembrava do meu nome, daquilo que tinhas conversado, falando com a maior naturalidade daquele provável rápido instante de conversa que um dia tivemos, e eu não lembrava seu nome! Falei como se nunca tivesse visto ela na minha vida.
Me despedi dela depois de alguns instantes, atordoado com a ideia de não lembrar nem sequer da feição de Vanessa, imaginando como aquele um instante de conversa que não me lembrava ter tido podia ter marcado está moça, refletindo como o tempo desprendido para interagir com aqueles que não tem com quem interagir, ou que não interagem de forma inteira pode ser importante a ponto de fixar em uma rápida conversa o meu nome, alguns detalhes sobre mim.
A reflexão sobre a importância que um instante do nosso tempo girava em torno da minha cabeça, me fazendo embebedar da ideia de talvez ter sido importante para aquela moça que estava agora a alguns quarteirões de mim comendo o pão de queijo que lhe dei.
Continuei minha caminhada, andando pela paulista rumo a minha faculdade, eis que no meio da paulista, um homem sentado em uma mureta, com uma mala e um cobertor ao lado dos pés ao me olhar disse com um largo sorriso:
-Muito legal seu chapéu!
-Aah! Brigado, o chapéu não da pra arranjar mas se você estiver com fome posso lhe dar pães de queijo que trago na mala.
-Não quero comida não garoto...e ai seu nome é?
-Meu nome? É Yanco e o seu é?
-Igor! Parecidos os nomes não? Olha aqui meu nome!
E me mostrou sua mão onde estava tatuado seu nome, todavia um detalhe alem da tatuagem do seu nome em seus dedos me chamou a atenção, suas mãos estavam machucadas! Os cortes aparentam estar em carne viva, não me contive e perguntei a ele após observar sua mão o que tinha lhe acontecido e ele disse:
-As vezes na nossa vida, você não quer fazer mal a ninguém mas acontecem coisas que você sabe né? Eu estava indo numa loja comprar algo, e um cara de terno grandão seguro no meu peito como se eu fosse um ladrão, eu iria comprar algo mais o preconceito dele, sabe como é né? Olha só minha orelha! Eu fui lutador de luta livre, bati no cara ate quebrar todos os dentes da boca dele, tiveram de chamar o Samu pra poder ajudar ele, e eu vazei de lá depois de dar uns tapas nele...
Após ouvir seu relato internamente, não sei exatamente o que eu senti, talvez tenha sido medo de aborrecer aquele homem ali na minha frente e ele fizer algo comigo, ou sentir desgosto ao imaginar ser alvo de tal preconceito, a conversa continuou, bem na verdade não era uma conversa, era mais um monólogo, onde Igor comandava a peça de sua vida, contando sobre as mulheres com quem teve filhos espalhadas pelo Brasil, e começou a contar o que acho eu era o que mais aborrecia ele naquele momento:
-Eu tenho uma filha em São Paulo, ela tem 16 anos, o namorado dela tem 21 anos, ela me avisou que tinha uma novidade pra me contar, mas eu teria de ir lá na casa dela pra que ela pudesse me contar, sabe eu avisei pra eles que eles podiam se divertir me entende? Mais não podia bota um filho nela agora, ela tem 16 anos, é uma moça ainda, tem que completar os estudos, não era pra ter filho agora, eu falei pra ela que podia mais sem ter filho, e os estudos? Eu sei que não sei qual é a novidade que ela tem para me contar, mas eu sei! Eu sei que é um neto que ela tem para me contar, mas aquele moleque vai ter que casar agora! Minha vida já é difícil por ter que sustentar todas minhas filhas, um nova boca pra alimentar? Você sabe que vai sobrar pra mim, não era para ter tido filho agora...
E repetiu tal situação, por alguns minutos como preso a fixamente a aquele pensamento de que não era o momento, e como quem gritava a dor que o próprio coração sentia.
Após repetir por várias vezes ele parou de falar, olhou para o lado como quem toma fôlego para enfrentar o que sabe que vem pela frente, e eu em respeitoso silencio esperava tal situação não imaginando o que poderia vir, entretanto estando ali inteiro para o que ele diria! Após a pausa ele me olhou nos olhos e disse:
-Sabe estava eu numa festa em uma cidade do interior, e fui comprar um sorvete, um sundae para mim que custava quatro reais, não tinha muito dinheiro na carteira, e tanta gente la com dinheiro! Uma garotinha de uns nove anos veio e me pediu: - tio você pode me comprar um sorvete de um real?- eu parei naquele momento e falei pra ela que não, não compraria o sorvete de um real, eu ia comprar o de quatro reais, e pedi pra ela escolher o sabor que ela queria, sabe eu me senti o melhor homem do mundo naquele instante...
E aquele homem que a alguns minutos atrás tinha contado que baterá em alguém começou a chorar, eu como no começo da conversa me mantive em respeitoso silêncio, ele continuou:
-Eu choro mas eu sou homem, mas chorar não me torna menos homem...
-Igor eu sei disso!
Após Igor se recompor ele contou mais sobre sua vida, e na sua fala via alguém que com certeza tinha um coração cheio de luz, e depois de um pouco de assunto jogado fora me despedi daquele ser que me ensinou o valor que quatro reais podem ter, e refleti sobre a experiência que tive no caminho até a faculdade...
obs. o texto relata uma história verídica, a minha humilde visão sobre o que ocorreu, porem os nomes foram trocados(menos o meu) para que não possa ocorrer futuros constrangimentos dos envolvidos
No caminho até chegar a avenida paulista tive a sorte de passar pelo metro Ana Rosa, e no começo do seguinte quarteirão vi debaixo de algumas cobertas uma pessoa, escondida embaixo daqueles panos que devem tê-la aquecido durante a noite a dentro, eram 7:30 da manhã e a cidade de São Paulo já se encontrava acordada, trazendo junto do acordar o seu barulho e movimento respectivos, está pessoa, que fazia parte da vista da calçada, encostada na parede próxima a um pequeno shopping, se enrolou no cobertor de tal forma, que parecia querer se esconder da agitação daquela manhã, como quem queria ficar inacessível do mundo, passei por ela observando tal cena, e neste momento ela saiu do casulo, me olhou e disse, de forma quase inaudível:
-Me ajuda?
Dei três passos olhando para esta moça, e parei, não sei exatamente pelo o que mas parei, e fiquei ali, por 4 longos segundos parado, pensando para onde ir, ou o que fazer, para olhos de fora, estes segundos foram um rápido instante sem aparente importância, para mim foram os minutos mais lentos que já presenciei.
Tomei uma atitude! Me dirigi até ela peguei a carteira e....
Mais um instante daqueles de parar o tempo!
Como pude ser tão burro? Eu sabia que dinheiro era tudo que ela menos queria, os olhos dela gritaram tristeza quando perceberam que coloquei a mão dentro do bolso, para tirar a carteira, e dar de forma fria um trocado qualquer, quando percebi minha ação consegui perguntar com uma certa vergonha interna:
-Está com fome?
-Estou...
-Gosta de pão de queijo?
-Gosto...
-Vou ali no metrô e compro para você um saquinho de pães de queijo, já volto!
E lá fui eu, comprar os pães de queijo, que custavam tão pouco, fiquei refletindo no que dizer, após entregar os pães, enquanto a moça do quiosque colocava eles no saquinho, entregar e ir embora? Sentar e tentar conversar? Tinha de ir para a faculdade! Mas também tinha que dar atenção a um ser humano que precisa-se dela!
Comprei 30 pães de queijo, 10 para a moça e 20 para aproveitar durante o dia, voltei a sua direção, e entreguei-lhe os prometidos 10 pães, ela sorriu e eu me agachei ao seu lado, como quem não sabe se quer sentar ou ir embora, neste instante veio a tentativa de conversa:
-Então moça seu nome é?
-Vanessa!
-Então o meu é Yanco, Muito prazer!
-Eu sei que seu nome é Yanco, você já conversou comigo antes...
-Sério? A deve ter sido junto com o grupo que sempre saio de sábado pra entregar lanches e conversar!
-Não não! Você conversou sozinho comigo, e você trabalha ali naquele centro espírita que fica aqui do lado, lembro da conversa que tivemos...
Neste instante ouve um silencio no diálogo, e eu comecei a pensar, como posso ser tão insensível com alguém, ela lembrava do meu nome, daquilo que tinhas conversado, falando com a maior naturalidade daquele provável rápido instante de conversa que um dia tivemos, e eu não lembrava seu nome! Falei como se nunca tivesse visto ela na minha vida.
Me despedi dela depois de alguns instantes, atordoado com a ideia de não lembrar nem sequer da feição de Vanessa, imaginando como aquele um instante de conversa que não me lembrava ter tido podia ter marcado está moça, refletindo como o tempo desprendido para interagir com aqueles que não tem com quem interagir, ou que não interagem de forma inteira pode ser importante a ponto de fixar em uma rápida conversa o meu nome, alguns detalhes sobre mim.
A reflexão sobre a importância que um instante do nosso tempo girava em torno da minha cabeça, me fazendo embebedar da ideia de talvez ter sido importante para aquela moça que estava agora a alguns quarteirões de mim comendo o pão de queijo que lhe dei.
Continuei minha caminhada, andando pela paulista rumo a minha faculdade, eis que no meio da paulista, um homem sentado em uma mureta, com uma mala e um cobertor ao lado dos pés ao me olhar disse com um largo sorriso:
-Muito legal seu chapéu!
-Aah! Brigado, o chapéu não da pra arranjar mas se você estiver com fome posso lhe dar pães de queijo que trago na mala.
-Não quero comida não garoto...e ai seu nome é?
-Meu nome? É Yanco e o seu é?
-Igor! Parecidos os nomes não? Olha aqui meu nome!
E me mostrou sua mão onde estava tatuado seu nome, todavia um detalhe alem da tatuagem do seu nome em seus dedos me chamou a atenção, suas mãos estavam machucadas! Os cortes aparentam estar em carne viva, não me contive e perguntei a ele após observar sua mão o que tinha lhe acontecido e ele disse:
-As vezes na nossa vida, você não quer fazer mal a ninguém mas acontecem coisas que você sabe né? Eu estava indo numa loja comprar algo, e um cara de terno grandão seguro no meu peito como se eu fosse um ladrão, eu iria comprar algo mais o preconceito dele, sabe como é né? Olha só minha orelha! Eu fui lutador de luta livre, bati no cara ate quebrar todos os dentes da boca dele, tiveram de chamar o Samu pra poder ajudar ele, e eu vazei de lá depois de dar uns tapas nele...
Após ouvir seu relato internamente, não sei exatamente o que eu senti, talvez tenha sido medo de aborrecer aquele homem ali na minha frente e ele fizer algo comigo, ou sentir desgosto ao imaginar ser alvo de tal preconceito, a conversa continuou, bem na verdade não era uma conversa, era mais um monólogo, onde Igor comandava a peça de sua vida, contando sobre as mulheres com quem teve filhos espalhadas pelo Brasil, e começou a contar o que acho eu era o que mais aborrecia ele naquele momento:
-Eu tenho uma filha em São Paulo, ela tem 16 anos, o namorado dela tem 21 anos, ela me avisou que tinha uma novidade pra me contar, mas eu teria de ir lá na casa dela pra que ela pudesse me contar, sabe eu avisei pra eles que eles podiam se divertir me entende? Mais não podia bota um filho nela agora, ela tem 16 anos, é uma moça ainda, tem que completar os estudos, não era pra ter filho agora, eu falei pra ela que podia mais sem ter filho, e os estudos? Eu sei que não sei qual é a novidade que ela tem para me contar, mas eu sei! Eu sei que é um neto que ela tem para me contar, mas aquele moleque vai ter que casar agora! Minha vida já é difícil por ter que sustentar todas minhas filhas, um nova boca pra alimentar? Você sabe que vai sobrar pra mim, não era para ter tido filho agora...
E repetiu tal situação, por alguns minutos como preso a fixamente a aquele pensamento de que não era o momento, e como quem gritava a dor que o próprio coração sentia.
Após repetir por várias vezes ele parou de falar, olhou para o lado como quem toma fôlego para enfrentar o que sabe que vem pela frente, e eu em respeitoso silencio esperava tal situação não imaginando o que poderia vir, entretanto estando ali inteiro para o que ele diria! Após a pausa ele me olhou nos olhos e disse:
-Sabe estava eu numa festa em uma cidade do interior, e fui comprar um sorvete, um sundae para mim que custava quatro reais, não tinha muito dinheiro na carteira, e tanta gente la com dinheiro! Uma garotinha de uns nove anos veio e me pediu: - tio você pode me comprar um sorvete de um real?- eu parei naquele momento e falei pra ela que não, não compraria o sorvete de um real, eu ia comprar o de quatro reais, e pedi pra ela escolher o sabor que ela queria, sabe eu me senti o melhor homem do mundo naquele instante...
E aquele homem que a alguns minutos atrás tinha contado que baterá em alguém começou a chorar, eu como no começo da conversa me mantive em respeitoso silêncio, ele continuou:
-Eu choro mas eu sou homem, mas chorar não me torna menos homem...
-Igor eu sei disso!
Após Igor se recompor ele contou mais sobre sua vida, e na sua fala via alguém que com certeza tinha um coração cheio de luz, e depois de um pouco de assunto jogado fora me despedi daquele ser que me ensinou o valor que quatro reais podem ter, e refleti sobre a experiência que tive no caminho até a faculdade...
obs. o texto relata uma história verídica, a minha humilde visão sobre o que ocorreu, porem os nomes foram trocados(menos o meu) para que não possa ocorrer futuros constrangimentos dos envolvidos