domingo, 2 de janeiro de 2011

preleção dia 02/01/11

Já que isso aqui fico esquecido vou começar a colocar os textos que escrevo nas minhas preleções/palestras... aulas... e se eu escrever mais algo especial eu escrevo também! prometo... bem esta ai a preleção do dia 02/01


Preleção
Alteridade, caridade e o tempo!
 Boa noite a todos, é um prazer imenso poder estar aqui nessa data especial, depois da virada de ano! E a virada é usada pra comemorar, e também para refletir sobre tudo que passou e o que vem pela frente!
 Bem, às vezes, nós durante a vida começamos a ter a sensação de que o tempo está passando mais rápido, de forma que não conseguimos mais ter tempo pra nada, como areia que escapa pela mãos , nós tentamos agarrar mas o tempo se vai pelos vãos, indo embora com o vento!
 Se isso já aconteceu conosco alguma vez, basta parar e pensar que por dia Deus nos dá de presente 86400 segundos, para amar, viver, aprender, ensinar, a crescer....
E  bem, para saber o valor que o tempo tem, basta perguntar o valor de um ano, ao garoto que repetiu na escola, para saber o valor de um mês pergunte a mulher que teve o filho prematuro, o de uma semana ao filho que só consegue ver os pais de domingo pois eles trabalha todos os outros dias, o de um dia a pessoa que luta contra a doença tentando a cada dia ter um dia a mais de vida, o de uma hora a mulher que espera o filho que não vê a anos, e soube que o voou atrasou, o de um segundo? A quem escapou de um acidente trágico por pouco, o de um milésimo de segundo? Ao atleta que pegou medalha de prata...
Cada segundo da nossa vida é precioso, é chance que nós temos de fazer o melhor possível, de buscar fazer o melhor possível, e mesmo que não consigamos, a tentativa é mais que válida.
Agora vamos usar um pouco dos segundos que temos juntos, e refletir sobre como andamos utilizando todos os outros segundos, quantas vezes nós buscamos fazer a caridade utilizando o tempo que nós temos? CARIDADE, eita palavrinha perseguida dentro de um centro espírita, e de certa maneira polemica tenho certeza que nós já ouvimos o discurso:
“Dar um bem material não é caridade, caridade é dar seu tempo, um ombro amigo, ajudar a quem precisa”
Lendo um pouco, agente percebe que tem lógica esse discurso, porém falta alguma coisa, talvez a parte mais IMPORTANTE da caridade não esteja escrita nesse discurso...
Que é tão simples de dizer, basta olhar o outro como igual, alguém feito de carbono, com espírito vindo da mesma fonte que é Deus, entender que o outro sente como nós sentimos, tem as dificuldades que nós temos, tem necessidades que nós temos, também pode amar como nós amamos....
Dai cada um dos segundos vira caridade, cada instante é bem utilizado, exemplo? Quem ta no inverno sentindo frio, e vê alguém na rua e pensa:
- nossa se eu estou sentindo frio imagina ele? Eu tenho casa chuveiro... ele não tem! Ele deve sentir muito frio... e por esse raciocínio ir doar-lhe uma roupa, PRONTO a caridade foi feita, se é um bem material ou não, não importa, desde que a reflexão de buscar olhar o outro como um igual tenha sido feita! POR MAIS difícil que seja a situação, olhar como um igual é caridade!
Ver o erro dos outros, como nossos erros, entender que por mais que doa todos somos falhos... e partindo desse raciocínio embasar uma ação de tentativa de amor... agente ta rumando para caridade...
Espero que o tempo de cada um de nós esse ano seja especial, que cada um desses segundos que teremos esse ano sejam pensados e usados com o coração, e espero que os poucos segundos que tivemos juntos tenham sido uteis para algo... obrigado...

qualquer erro muito grave ou não no texto... da um grito pra mim? escrevi mio que correndo hehehe...
a o começo foi inspirado no texto de um artista que bem .. não lembro o nome dele! Mas quando lembrar prometo que ponho aqui!

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Per(doar)

Bem, peço sinceras desculpas pela minha ausência aqui no blog, tive semanas bem pesadas de estudos na faculdade, e trabalho, bem, sei que vocês me entendem!
Tenho tantos textos pra escrever aqui no blog! Mas tenho que começar por este, como da pra ver no título de hoje, o assunto é perdoar. Prometo não trazer um texto imenso como foi o 1º, mas aquele era necessário ser daquele jeitinho.
Vamos parar de enrolar, essa semana tive o prazer de participar de uma atividade com uma psicóloga amiga minha, e a proposta do exercício era refletir sobre o que era o perdão.
Ela trouxe algumas definições como:
Perdoar vem do latim tardio ‘perdonare’, que é usado ainda hoje em italiano

Perdonare é composto por "per" + 'donare'. Significa dar por completo. "donare"=doar=dar
Perdão em Hebraico é soltar, deixar livre, libertar.
Tinham outros significados, mas bem acho que estes são o suficiente para a reflexão que me propus hoje.

Imagine que cada situação da nossa vida, fosse uma esfera que nós ganhássemos, e que cabe na palma da nossa mão. E tudo que agente pode fazer é olhar para essa esfera, sabendo que para englobar ela como um todo deve se ter calma, sentir sua textura, ver suas cores, seu peso, observar atentamente toda sua extensão, se é oca, seu odor, o que tem dentro dessa esfera, o quanto a situação brilha ou não, seu formato como um todo.

Bem agente pode fazer muita coisa com essa esfera, tem gente que reclama das esferas que ganha, mas usa de desculpa pra novas esferas, tem gente que nem liga pra esferas que ganha agindo de forma totalmente pulsional e creio eu que várias formas de se relacionar com cada uma das esferas que se ganha.

E nós resolvemos comprar uma mochila, tem tanta esfera pra gente olhar, carregar, re-analisar tantas formas de usá-la e até se culpar por ter uma esfera nova que essa mochila serve pra carregar todas as esferas que nos interessam.

Ai numa esfera, nós olhamos e gostamos daquilo que vemos, aquilo nos emociona de tal maneira, que não podemos deixar a esfera ir embora, a saudade que aquela esfera representa, guardamos. Outra nos faz chorar de tristeza, e agente também não consegue a deixar ir embora, guardamos. Outra nos decepciona só de olhar pra ela, guardamos.

E vamos fazendo esse movimento de guardar as esferas, cada lágrima é motivo de guardar, mentira, falta de esperança, desamor, desafeto, esquecimento culpa... Culpa! Normalmente a maioria das esferas vem recheada da cor e do cheiro da culpa, e quando elas vêm com essa cor, não pensamos duas vezes em guardar e olhar para aquela esfera, várias e várias vezes.

E o que é perdoar afinal? Bem simples! É deixar a mala pra lá, é não carregar um monte de esferas que não precisamos carregar, depois que você olhou pra sua esfera, analisou, aprendeu com ela, olhe para frente! Não se prenda a essas bolas que já esgotaram seu significado, que já não tem mais o que passar, use só as duas mãos que você tem pra carregar suas esferas.

Se possível quando a esfera vier coberta de culpa, pinte-a de outra cor! Você não merece olhar para uma cor que não trás nada de novo.
Acho que é por isso que as pessoas que perdoam ficam mais leves, é um peso que é tirado das costas...

domingo, 10 de outubro de 2010

Empurrãozinho


Sexta feira dia 01/10/2010, resolvi que ia para minha faculdade de uma forma diferente, já que minha carona diária não aconteceria naquele dia, ao invés de ir de ônibus fui a pé, mas o que o dia me reservava era bem mais que uma simples caminhada pela avenida paulista.
No caminho até chegar a avenida paulista tive a sorte de passar pelo metro Ana Rosa, e no começo do seguinte quarteirão vi debaixo de algumas cobertas uma pessoa, escondida embaixo daqueles panos que devem tê-la aquecido durante a noite a dentro, eram 7:30 da manhã e a cidade de São Paulo já se encontrava acordada, trazendo junto do acordar o seu barulho e movimento respectivos, está pessoa, que fazia parte da vista da calçada, encostada na parede próxima a um pequeno shopping, se enrolou no cobertor de tal forma, que parecia querer se esconder da agitação daquela manhã, como quem queria ficar inacessível do mundo, passei por ela observando tal cena, e neste momento ela saiu do casulo, me olhou e disse, de forma quase inaudível:
-Me ajuda?
Dei três passos olhando para esta moça, e parei, não sei exatamente pelo o que mas parei, e fiquei ali, por 4 longos segundos parado, pensando para onde ir, ou o que fazer, para olhos de fora, estes segundos foram um rápido instante sem aparente importância, para mim foram os minutos mais lentos que já presenciei.
Tomei uma atitude! Me dirigi até ela peguei a carteira e....
Mais um instante daqueles de parar o tempo!
Como pude ser tão burro? Eu sabia que dinheiro era tudo que ela menos queria, os olhos dela gritaram tristeza quando perceberam que coloquei a mão dentro do bolso, para tirar a carteira, e dar de forma fria um trocado qualquer, quando percebi minha ação consegui perguntar com uma certa vergonha interna:
-Está com fome?
-Estou...
-Gosta de pão de queijo?
-Gosto...
-Vou ali no metrô e compro para você um saquinho de pães de queijo, já volto!
E fui eu, comprar os pães de queijo, que custavam tão pouco, fiquei refletindo no que dizer, após entregar os pães, enquanto a moça do quiosque colocava eles no saquinho, entregar e ir embora? Sentar e tentar conversar? Tinha de ir para a faculdade! Mas também tinha que dar atenção a um ser humano que precisa-se dela!
Comprei 30 pães de queijo, 10 para a moça e 20 para aproveitar durante o dia, voltei a sua direção, e entreguei-lhe os prometidos 10 pães, ela sorriu e eu me agachei ao seu lado, como quem não sabe se quer sentar ou ir embora, neste instante veio a tentativa de conversa:
-Então moça seu nome é?
-Vanessa!
-Então o meu é Yanco, Muito prazer!
-Eu sei que seu nome é Yanco, você já conversou comigo antes...
-Sério? A deve ter sido junto com o grupo que sempre saio de sábado pra entregar lanches e conversar!
-Não não! Você conversou sozinho comigo, e você trabalha ali naquele centro espírita que fica aqui do lado, lembro da conversa que tivemos...
Neste instante ouve um silencio no diálogo, e eu comecei a pensar, como posso ser tão insensível com alguém, ela lembrava do meu nome, daquilo que tinhas conversado, falando com a maior naturalidade daquele provável rápido instante de conversa que um dia tivemos, e eu não lembrava seu nome! Falei como se nunca tivesse visto ela na minha vida.
Me despedi dela depois de alguns instantes, atordoado com a ideia de não lembrar nem sequer da feição de Vanessa, imaginando como aquele um instante de conversa que não me lembrava ter tido podia ter marcado está moça, refletindo como o tempo desprendido para interagir com aqueles que não tem com quem interagir, ou que não interagem de forma inteira pode ser importante a ponto de fixar em uma rápida conversa o meu nome, alguns detalhes sobre mim.
A reflexão sobre a importância que um instante do nosso tempo girava em torno da minha cabeça, me fazendo embebedar da ideia de talvez ter sido importante para aquela moça que estava agora a alguns quarteirões de mim comendo o pão de queijo que lhe dei.
Continuei minha caminhada, andando pela paulista rumo a minha faculdade, eis que no meio da paulista, um homem sentado em uma mureta, com uma mala e um cobertor ao lado dos pés ao me olhar disse com um largo sorriso:
-Muito legal seu chapéu!
-Aah! Brigado, o chapéu não da pra arranjar mas se você estiver com fome posso lhe dar pães de queijo que trago na mala.
-Não quero comida não garoto...e ai seu nome é?
-Meu nome? É Yanco e o seu é?
-Igor! Parecidos os nomes não? Olha aqui meu nome!
E me mostrou sua mão onde estava tatuado seu nome, todavia um detalhe alem da tatuagem do seu nome em seus dedos me chamou a atenção, suas mãos estavam machucadas! Os cortes aparentam estar em carne viva, não me contive e perguntei a ele após observar sua mão o que tinha lhe acontecido e ele disse:
-As vezes na nossa vida, você não quer fazer mal a ninguém mas acontecem coisas que você sabe ? Eu estava indo numa loja comprar algo, e um cara de terno grandão seguro no meu peito como se eu fosse um ladrão, eu iria comprar algo mais o preconceito dele, sabe como é ? Olha só minha orelha! Eu fui lutador de luta livre, bati no cara ate quebrar todos os dentes da boca dele, tiveram de chamar o Samu pra poder ajudar ele, e eu vazei de lá depois de dar uns tapas nele...
Após ouvir seu relato internamente, não sei exatamente o que eu senti, talvez tenha sido medo de aborrecer aquele homem ali na minha frente e ele fizer algo comigo, ou sentir desgosto ao imaginar ser alvo de tal preconceito, a conversa continuou, bem na verdade não era uma conversa, era mais um monólogo, onde Igor comandava a peça de sua vida, contando sobre as mulheres com quem teve filhos espalhadas pelo Brasil, e começou a contar o que acho eu era o que mais aborrecia ele naquele momento:
-Eu tenho uma filha em São Paulo, ela tem 16 anos, o namorado dela tem 21 anos, ela me avisou que tinha uma novidade pra me contar, mas eu teria de ir lá na casa dela pra que ela pudesse me contar, sabe eu avisei pra eles que eles podiam se divertir me entende? Mais não podia bota um filho nela agora, ela tem 16 anos, é uma moça ainda, tem que completar os estudos, não era pra ter filho agora, eu falei pra ela que podia mais sem ter filho, e os estudos? Eu sei que não sei qual é a novidade que ela tem para me contar, mas eu sei! Eu sei que é um neto que ela tem para me contar, mas aquele moleque vai ter que casar agora! Minha vida já é difícil por ter que sustentar todas minhas filhas, um nova boca pra alimentar? Você sabe que vai sobrar pra mim, não era para ter tido filho agora...
E repetiu tal situação, por alguns minutos como preso a fixamente a aquele pensamento de que não era o momento, e como quem gritava a dor que o próprio coração sentia.
Após repetir por várias vezes ele parou de falar, olhou para o lado como quem toma fôlego para enfrentar o que sabe que vem pela frente, e eu em respeitoso silencio esperava tal situação não imaginando o que poderia vir, entretanto estando ali inteiro para o que ele diria! Após a pausa ele me olhou nos olhos e disse:
-Sabe estava eu numa festa em uma cidade do interior, e fui comprar um sorvete, um sundae para mim que custava quatro reais, não tinha muito dinheiro na carteira, e tanta gente la com dinheiro! Uma garotinha de uns nove anos veio e me pediu: - tio você pode me comprar um sorvete de um real?- eu parei naquele momento e falei pra ela que não, não compraria o sorvete de um real, eu ia comprar o de quatro reais, e pedi pra ela escolher o sabor que ela queria, sabe eu me senti o melhor homem do mundo naquele instante...
E aquele homem que a alguns minutos atrás tinha contado que baterá em alguém começou a chorar, eu como no começo da conversa me mantive em respeitoso silêncio, ele continuou:
-Eu choro mas eu sou homem, mas chorar não me torna menos homem...
-Igor eu sei disso!
Após Igor se recompor ele contou mais sobre sua vida, e na sua fala via alguém que com certeza tinha um coração cheio de luz, e depois de um pouco de assunto jogado fora me despedi daquele ser que me ensinou o valor que quatro reais podem ter, e refleti sobre a experiência que tive no caminho até a faculdade...

obs. o texto relata uma história verídica, a minha humilde visão sobre o que ocorreu, porem os nomes foram trocados(menos o meu) para que não possa ocorrer futuros constrangimentos dos envolvidos